quinta-feira, 23 de outubro de 2008

retrato de um mundo que se foi

com um enorme sorriso sarcástico chapado
contemplo as faces do universo abandonado
no cume deste pavilhão consternado
fluxo incessante do nosso mundo doentio
o negro da noite gritante acobertando a cidade febril
as multidões se atropelando, transitando & transpirando
coletivos de ânsia, uns nos outros, se esbarrando
a pequena praça perdida & as lembranças do vinho vagabundo
e de tantos rastros de antigas façanhas e amores esquecidos
bairros adormecidos no lapso das artérias movimentadas
por carros que cortam estas estradas recém-asfaltadas
boca surrealista regurgitando palavras violentadas
evocando em gestos clandestinos a adoração ao nu perdido
ah! como um amante cativo, despojo-me em orgias de sentido
- deste pico faço exílio, entre aos outros sou peregrino
vislumbrando as profecias dos mil abismos
e meus olhos transloucos acusam o vibrante ritmo
- a cidade é o coração doente que pulsa sem marca-passo

(poema perdido entre 2007-2008)

3 comentários:

Tahiane disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
osbembolado disse...

eu tinha comentado antes com outro blog :x

então tá
jah te falei o que achei neh?
^^
muito bom muleke colomy...

J. C disse...

Nossa!
adorei a poesia.

"- a cidade é o coração doente que pulsa sem marca-passo"

esse retrato explosivo do mundo e da cidade transpirando caos.

Parabéns! :*